quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

"A Casa Torta": um novo crime por resolver

A Casa Torta é o segundo filme baseado numa obra de Agatha Christie que é lançado este ano e enquanto fã da escritora acho que não podia estar mais feliz! Depois de Um Crime No Expresso do Oriente, chega agora até nós este filme que foi realizado por Gilles Paquet-Brenner e com um argumento de Julian Fellowes - o criador da série Downton Abbey


A trama do filme começa quando o abastado patriarca grego Aristide Leonides morre em circunstâncias suspeitas e a sua neta, Sophia, pede a Charles Hayward, um detetive privado que por acaso também é o seu ex-namorado, que investigue o caso. Charles decide fazer este “favor” a Sophia e vai até à casa dos Leonides, onde encontra todos os familiares do morto num ambiente cheio de rancor e ciúme. O detetive tem, assim, a difícil tarefa de descobrir quem foi o assassino, nesta casa onde todos parecem suspeitos e onde existem pistas por todo o lado. 
O principio do filme, no qual vemos Aristide a ser envenenado, dá-se logo numa onda de mistério que deixa o espectador a pensar em quem será o assassino. Claramente, o início pretende dar-nos pistas erradas, que afastam as nossas suspeitas do verdadeiro assassino e o facto de estarmos a seguir essas pistas falsas deixa-nos curiosos e bastante atentos até à grande revelação. 
Este é um filme cheio de twists: se num momento acreditamos que o assassino é uma certa personagem, no momento a seguir já pensamos que é outra. Ao contrário de muitos outros, nada é previsível! Não basta estarmos atentos aos pormenores, porque os pormenores aqui enganam e o final acaba por ser surpreendente. 
No que toca ao elenco, temos poucas caras conhecidas do grande publico, mas entre elas estão Gillian Anderson, Glenn Close, Christina Hendricks e Max Irons. 
Penso que este é um filme incrível para quem gosta de policiais!

sábado, 9 de dezembro de 2017

"The Disaster Artist": quando um filme mau leva a um filme bom

Hoje vamos começar por fazer uma curta viagem no tempo e para nos situarmos vamos até 2003, o ano em que foi lançado aquele que é considerado um dos piores filmes de sempre: The Room - escrito, realizado, produzido e protagonizado por Tommy Wiseau, um artista que queria sempre ser o mais original possível.
The Room apresentava uma história simples sobre um homem, Johnny (interpretado pelo próprio Tommy Wiseau), que foi traído pela namorada, Lisa, que se apaixonou pelo seu melhor amigo, Mark. Logo por aqui percebemos que o filme não é nada de especial, mas o que o marcou ainda mais negativamente foi a péssima representação de Wiseau.
Na verdade, o facto de o filme ser tão mau fez com que este se tornasse numa espécie de objeto de culto e ainda hoje em dia, mais de dez anos depois, The Room é capaz de esgotar sessões. 


Assim chegamos ao The Disaster Artist, que conta precisamente a história que está por trás da criação do The Room. Realizado e protagonizado por James Franco, o filme tem um elenco cheio de estrelas, no qual também temos presente Dave Franco, no papel de Greg Sestero (o ator que fez de Mark no filme original.
Tommy Wiseau e Greg Sestero são dois amigos que foram para Hollywood. Como não conseguiam arranjar empregos como atores, Tommy decidiu escrever um guião e fazer um filme com Greg. Para ajudar, Wiseau tinha uma conta recheada de dinheiro - que até hoje ninguém sabe de onde veio.


O filme inicia-se com várias entrevistas a atores e realizadores que tão bem conhecemos e que ali mostram a sua admiração pelo The Room. Ou seja, logo o início é capaz de nos arrancar algumas gargalhadas. Mas é a partir do momento em que James Franco aparece pela primeira vez como Tommy Wiseau, a fazer uma cena do filme Um Elétrico Chamado Desejo, que percebemos que estamos perante um filme repleto de grandes interpretações. E, felizmente, ao contrário da sua inspiração, o The Disaster Artist definitivamente não é um desastre. 


Todas as cenas mais memoráveis do The Room estão aqui presentes e fielmente imitadas. Mas o mais interessante são mesmo as cenas que mostram como foram os bastidores do filme original. Ver as repetidas tentativas falhadas de Tommy Wiseau a representar é pura e simplesmente hilariante – e neste aspeto temos de dar todo o mérito a James Franco.
Ao longo do filme, também nos vão sendo apresentadas as reações ao The Room e, no final, percebemos que o The Disaster Artist não pretende apenas mostrar os pontos negativos da produção do filme.
Este filme não desaponta os fãs do The Room (e admito que estou incluída neste grupo) e, para além disso, certamente vai ser do agrado mesmo daqueles que nunca antes tinham ouvido falar deste "grande artista" chamado Tommy Wiseau. Agora questiono-me: será que o "The Disaster Artist" vai estar na corrida aos Óscares? Espero bem que sim.