terça-feira, 31 de outubro de 2017

"Jigsaw - O Legado de Saw" (Opinião)

Passaram-se sete anos desde que foi lançado o (suposto) último capítulo do franchise Saw. No entanto, algo que parecia ter terminado, regressa agora com Jigsaw: O Legado de Saw, que passa a ser o oitavo filme da saga. 


No que toca a estes filmes, ou se gosta ou se odeia. Muitos fãs certamente aguardavam o regresso de Saw, mas sendo que o famoso assassino protagonista destes filmes já estava morto há tanto tempo, qual é a necessidade de “ressuscitar” esta saga? 
Logo através do nome do filme, percebemos que vamos assistir ao legado deixado pelo famoso serial-killer que tão bem já conhecemos. Como o filme é sobre o seu legado, mesmo antes de vermos Jigsaw já sabemos que alguém vai assumir o seu papel e dar continuidade aos jogos mortais.
Realizado por dois irmãos, Peter e Michael Spierig, Jigsaw: O Legado de Saw consegue ser melhor que algumas das sequelas, mas nunca haverá nada melhor que o primeiro Saw – onde ainda havia terror psicológico e não apenas mortes sangrentas. 
Aqui não temos nada de novo. O único interesse deste filme são mesmo as armadilhas e mesmo assim também já não são novidade. 
No que toca às personagens, não nos interessamos por nenhum dos protagonistas e, sinceramente, não nos interessa se eles se conseguem salvar ou não. Nenhum deles consegue conquistar a nossa empatia, nem mesmo Anna (interpretada por Laura Vandervoort), que claramente está num lugar de destaque no filme. 
No final, temos o típico plot twist. Consegue ser surpreendente porque o “herdeiro” de Jigsaw é alguém de quem muitos de nós não vamos suspeitar. Mas depois de sabermos quem é percebemos que estavam várias pistas espalhadas ao longo do filme. 
No elenco temos Matt Passmore, Callum Keith Rennie, Hannah Emily Anderson, Clé Bennettt, Laura Vandervoort, Paul Braunstein, Mandela Van Peebles, entre outros. Para alegrar os fãs, alguns atores que fizeram personagens antigas vão estar de volta, mas não vou revelar quem são. É surpresa… 
Agora certamente podemos esperar uma continuação para este legado, porque é óbvio que as coisas (infelizmente) não vão ficar por aqui. 
Jigsaw: O Legado de Saw chegou às salas de cinema portuguesas na quinta-feira passada. Não deixa de ser um bom filme para se ver agora na altura do Halloween...

Por falar em Halloween, eu sei que no nosso país não se celebra muito mas quero desejar uma boa noite a todos os que vão sair à rua para celebrar! Boas bruxarias! 🎃

terça-feira, 24 de outubro de 2017

"O Boneco de Neve" (Opinião)

O Boneco de Neve é um thriller baseado no livro com o mesmo nome de Jo Nesbø, que foi publicado em 2007 e rapidamente se tornou num bestseller. Realizado por Tomas Alfredson (o realizador de A Toupeira), prometia ter muitos mistérios, suspense e também alguns traços de terror. 

O filme mostra-nos a incessante busca por um misterioso assassino que faz sempre um boneco de neve nos locais onde ataca. Apresenta-nos Harry Hole, o detetive responsável por estes casos, e também Katrine Bratt, uma jovem pouco experiente neste meio que o ajuda.
O Boneco de Neve tinha tudo para ser bom: uma base (o livro de Jo Nesbø) que se tornou num êxito, um elenco excelente e uma cinematografia também bastante agradável. Porém, não consegue ser um bom filme porque entra numa grande espiral que nunca mais acaba e no fim temos a sensação de que deixou várias pontas soltas.
Um dos grandes problemas é que tudo parece uma introdução. Em cada caso de desaparecimento ou morte, é feita uma introdução breve às mulheres. Percebemos um pouco da vida delas, mas num curto espaço de tempo que não nos leva a sentir empatia com estas personagens.
Ao longo do filme, aparecem várias personagens novas que mereciam uma melhor exploração. Aquilo que sabemos é pouco, mesmo no que toca ao protagonista. Por exemplo, no início, Harry acorda num banco de jardim onde certamente passou a noite depois de ficar bêbedo. Não sabemos nada sobre o que aconteceu antes – porque é que ele acordou ali? Porque é que bebe tanto? O que aconteceu na vida de Harry? Muitas coisas precisam de explicações e uma melhor introdução à personagem principal (pelo menos) era essencial.
No que toca a Katrine, apenas temos acesso a alguns flashbacks que se tornam fundamentais. Na verdade, é ela que ajuda Harry a resolver o caso e é o seu passado que a influencia a seguir esta carreira. Mas no final do filme, não achamos que ela foi assim tão importante. Até porque um dos grandes planos dela não corre bem e não percebemos muitas coisas relacionadas com ela.
A personagem de J. K. Simmons, Arve Stop, também é um grande mistério e é uma grande ponta solta que precisa necessariamente de ser explicada (fiquei com a ideia de que poderá haver uma sequela no futuro). Qualquer pessoa que vá ver este filme sem ter lido o livro vai chegar ao final sem perceber o que se passa na casa e na vida de Arve.


No final, tudo gira à volta de uma pergunta: quem é o verdadeiro assassino? Quando este é divulgado, apenas pensamos que era muito previsível. Até porque se estivermos bastante atentos, vão sendo dadas várias pistas ao longo do filme.
Relativamente ao elenco, percebemos que cada ator presente está a dar o seu melhor e, definitivamente, o problema não está nas interpretações. Tanto Michael Fassbender (o protagonista) como Rebecca Ferguson, J. K. Simmons, Val Kilmer, Charlotte Gainsbourg, Jonas Karlsson, Toby Jones, e todos os outros, estão excelentes. Mas boas representações não são o suficiente.
Portanto, O Boneco de Neve teria sido um filme agradável se tivesse sido mais bem explorado, mas ainda assim traz-nos uma história idêntica a muitas outras e sem nada de novo - para além de que desta vez o assassino é criativo e gosta de fazer bonecos de neve. No entanto, deixou-me com muita vontade de ler o livro, porque de certeza explica muita coisa.

domingo, 22 de outubro de 2017

Encontro com Nicholas Sparks

Há uns anos atrás, e por muito que agora me custe admitir isso, eu não gostava de ler. Ou pelo menos, não tinha hábitos de leitura. Até que uma vez me veio parar às mãos um livro chamado A Melodia do Adeus. Não conhecia o autor, apenas conhecia as pessoas que estavam na capa, visto que naquela edição estava uma imagem do cartaz do filme (protagonizado pela Miley Cyrus, que eu tanto idolatrava naquela altura).
Entretanto, li o livro. Gostei, gostei muito! E, por isso, decidi continuar a ler livros deste autor. Passei a adorar ler. Durante grande parte da minha adolescência, andei carregada com os romances deste homem. Agora, já não leio tanto os livros dele (sendo que o último que li já foi em 2014), mas assim que soube que ele vinha cá, não podia ter ficado mais feliz. Afinal de contas, grande parte da minha vida foi a ler livros do grande Nicholas Sparks.


Este encontro com os fãs, promovido pela Editora ASA, decorreu ontem à tarde, no Picadeiro Real (antigo Museu dos Coches), em Belém. O lugar tornou-se pequeno para tanta gente que decidiu dar ali um saltinho para conhecer o escritor.
Assim que ele entrou no palco, transmitiu logo a sua alegria a todos. Tirou várias fotografias ao público e, de seguida, começou uma rápida entrevista conduzida por Fátima Lopes.
Numa breve introdução, Nicholas Sparks admitiu que (como muitos de nós) tem tendência a procrastinar e passa a vida a adiar os seus momentos de escrita.
Falou, em destaque, do seu livro mais recente - Só Nós Dois -, razão pela qual veio ao nosso país. A obra conta a história de um pai solteiro, Russel Green, que tem de ultrapassar todos os seus problemas para cuidar da sua filha, London, que depende unicamente dele.
Segundo Sparks, o que mais o inspira são as pessoas normais que vemos todos os dias. Todas as suas personagens são o mais real possível e têm de lidar com problemas fundamentais, como a morte ou a doença. O autor criou um tipo de personagem e desde aí segue sempre esse modelo.


No final da entrevista, todos os que estiveram presentes tiveram a oportunidade de receber um autografo ou de tirar uma fotografia com o autor. Não querendo demorar muito tempo, limitei-me a dizer-lhe que o primeiro livro que li dele foi quando tinha dez anos. Ele ficou surpreendido e respondeu que era bom finalmente estarmos a conhecer-nos.
Nicholas Sparks é, sem dúvida, um homem normal que apenas nasceu com um dom para a escrita. Simpático, humilde e divertido. Foi uma tarde muito bem passada!


Agora fica aqui a promessa de que em breve vou ler este novo livro de Nicholas Sparks, Só Nós Dois. Depois, claro, trago-vos a opinião! 😃

terça-feira, 17 de outubro de 2017

"O Estrangeiro" (Opinião)

O Estrangeiro é um filme de Martin Campbell (o realizador de 007: Casino Royale e A Máscara de Zorro) que traz consigo o grande regresso de Jackie Chan e Pierce Brosnan ao grande ecrã. 


A trama começa com um inesperado ataque terrorista em Londres, no qual a filha de Quan (a personagem de Jackie Chan) morre. A partir daí, este homem humilde, que era apenas o dono de um restaurante em Chinatown, deseja continuar a viver apenas para descobrir quem foram os culpados pela morte da sua filha. Então, Quan tenta falar com um homem do governo, Hennessy, e pede-lhe que encontre os culpados. Depois de ser ignorado várias vezes, começa a ameaçá-lo e descobre alguns segredos do passado deste que metem a sua profissão em causa. 
Posso dizer, desde já, que aquilo que parecia ser um filme com uma história ao estilo de Taken tornou-se, afinal, num thriller bastante político. Logo no início somos confrontados com um ataque que, percebemos de seguida, foi feito por membros de um grupo terrorista Irlandês (o IRA – Exército Republicano Irlandês). 
O filme pode ser facilmente dividido em duas partes, sendo que a primeira é a mais dramática da história e é na qual se dá o acontecimento mais marcante: a grande explosão que mata a filha de Quan. A partir do momento em que este homem perde a sua filha, conseguimos ver o seu desespero e dá-se uma grande mudança na sua vida. Uma pessoa que até aí era apenas um pai trabalhador, transforma-se num homem sedento por vingança.
A segunda parte começa quando Quan se dirige pela primeira vez a Hennessy, pedindo-lhe que encontre os culpados pela morte da filha. A partir daqui o filme torna-se um pouco repetitivo, especialmente por causa da impaciência de Quan. Isto é compreensível, mas as próprias falas repetem-se inúmeras vezes, o que acaba por ser saturante. No entanto, à medida que a trama se vai desenrolando, a vingança de Quan deixa de ser o ponto fulcral (mas nunca é esquecida) e os temas políticos começam a fazer parte da ação, o que altera bastante o ritmo da história.
Ao falar deste filme, é preciso destacar a fantástica representação de Jackie Chan (que faz o papel de Quan) e é precisamente aqui que está o problema de O Estrangeiro. Acontece que, a partir de certo momento, apenas queremos ver a personagem de Jackie Chan. Parece que o resto do filme não lhe chega aos calcanhares e algumas cenas tornam-se mesmo aborrecidas quando ele não está presente. Queremos saber mais sobre esta personagem e queremos mais cenas de ação com ela. Porque, na verdade, cada cena de ação que Chan faz neste filme é uma bela coreografia e é agradável ao olhar. 
Felizmente, a par com a excelência da interpretação do protagonista, temos também uma magnífica banda sonora composta por Cliff Martinez, que traduz na perfeição todo o drama presente nesta história. 
No final, o filme acaba por não surpreender tanto quanto desejamos, mas mantém-nos agarrados até ao último minuto. O Estrangeiro está agora nas salas de cinema!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A chuva já cai lá fora...

Hoje foi um dia muito triste no nosso país. Portugal está, mais uma vez, a arder. Pessoas que, como eu, moram na zona de Lisboa não têm bem noção de tudo o que se está a passar e apenas sentimos a dor provocada por estes incêndios através das inúmeras imagens de puro horror que estão a ser passadas na televisão.
Quero apenas desejar muita força a quem estiver nas zonas onde estes incêndios terríveis insistem em queimar tudo. Esta situação é horrível, mas, felizmente, a chuva está a chegar para ajudar - neste momento já a estou a ouvir a salpicar as janelas; espero que durante a noite caia torrencialmente. Muita força, amigos!


sábado, 14 de outubro de 2017

"A Febre das Tulipas" (Opinião)

A Febre das Tulipas foi realizado por Justin Chadwick e inspirado no livro com o mesmo nome de Deborah Moggach. O filme está pronto desde 2014, mas só agora chegou aos cinemas.


Conta-nos a história de Sophia, uma jovem que vivia num orfanato e foi resgatada por Cornelis Sandvoort depois de um negócio que assim a tirou da pobreza. Este é um homem com algumas riquezas, que depois da morte da sua mulher ainda deseja ter um herdeiro. Entretanto, contrata um artista, Jan Van Loos, para pintar os seus retratos e Sophia apaixona-se pelo pintor, com quem acaba por viver uma grande paixão em segredo.
Em paralelo com Sophia e Van Loos, também nos é apresentada a história de Maria, a sua criada, e de Willem, um pescador, que adere à "febre das tulipas". Mais tarde, o pintor e Sophia decidem arriscar tudo o que têm no mercado das tulipas, para conseguirem ter uma vida juntos, longe de Cornelis.
Penso que é importante, desde já, situar este filme cronologicamente e explicar o seu título. A trama passa-se em Amesterdão, no Séc. XVII, altura em que começaram a ser plantadas as primeiras tulipas nos Países Baixos. As flores eram bastante procuradas pela sua beleza e por isso o seu valor foi aumentando, o que tornou o comércio dos bolbos das tulipas bastante lucrativo. Em plena "febre das tulipas" (ou "tulipomania") começaram a ser feitos leilões, onde as tulipas eram vendidas a preços exorbitantes. 
Sendo que o título remete imediatamente para o mercado das tulipas, este devia ser mais explorado no filme. As cenas em que vemos os leilões são de pouca duração, o que não permite ao espectador entrar realmente nesta febre. Apesar da loucura visível à volta deles, não parece ser algo tão grandioso como realmente foi. 
Como referi, Sophia é a protagonista do filme e a sua relação com Van Loos é o ponto fulcral. No entanto, a maneira como esta relação começa é demasiado rápida e sem indícios de amor. Vemos o pintor a trabalhar no retrato de Sophia e Cornelis e, assim de repente, sem um olhar nem nada, percebem que estão apaixonados e no dia a seguir correm para os braços um do outro. A rapidez com que isto acontece deixa-nos a questionar se existe mesmo ali amor ou apenas uma grande paixão e um enorme desejo sexual. No filme temos também várias cenas de sexo que duram mais do que era necessário e que apenas funcionam porque ficam esteticamente bonitas. 
Por outro lado, temos outro casal, Maria e Willem, com o qual simpatizamos desde início. Ao contrário das outras personagens, estes não vivem uma vida fácil e têm de trabalhar. Maria é a criada de Sophia e por isso ainda tem uma certa ligação com as classes mais ricas, mas Willem é apenas um pescador que está sempre a tresandar a peixe. Estes dois namoram às escondidas e têm alguns obstáculos entre eles. Pelo meio do filme alguns acontecimentos fazem com que fiquem separados, mas nunca duvidamos do seu amor e torcemos para que fiquem juntos. Roubam, portanto, as atenções ao casal protagonista, porque desejamos mais cenas entre estes dois e não tanto entre Sophia e Van Loos. 
O filme começa por ser apresentado em forma de narração precisamente por Maria e vão sendo dadas pistas sobre o final. É fácil perceber logo que a relação entre Sophia e Van Loos vai causar alguns problemas. Aliás, ao longo da trama dão-se imensas peripécias que podemos pensar, desde logo, que vão terminar mal. A Febre das Tulipas não tem muitas surpresas e muitos acontecimentos são previsíveis, incluindo o final.
Relativamente ao elenco, posso dizer que é de luxo, mas isso não é suficiente para tornar o filme excelente. Alicia Vikander, Dane DeHaan, Christoph Waltz, Judi Dench, Cara Delevingne, Jack O’Connell, Holliday Grainger e Zach Galifianakis são os nomes que aqui podemos encontrar. 
A personagem de Alicia Vikander é muito idêntica a outras que já foram interpretadas pela atriz (por exemplo, em A Rapariga Dinamarquesa ou A Luz entre Oceanos) e esperemos que isto não leve a uma saturação da sua imagem. É de lembrar que neste filme temos também um reencontro entre Dane DeHaan e Cara Delevingne, que depois de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas voltam a fazer parte do mesmo elenco – ainda que aqui as suas personagens não interajam muito uma com a outra.
A Febre das Tulipas não é um filme mau, porque até é bastante agradável de se ver e consegue mostrar um pouco do ambiente da Holanda no Séc. XVII. No entanto, no final do filme pensamos que tudo acontece muito rápido e é como muitos outros filmes que já foram feitos. 
Chegou esta quinta-feira, dia 12, às salas de cinema portuguesas!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Hoje é Sexta-feira 13!

Dizem que é dia de azar, não é? Tiveram muito azar hoje? E que tal passar a noite a ver um grande clássico dos filmes de Terror, o Sexta-Feira 13


Bom fim de semana e bons filmes! 😃

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Leituras: "Carrie", de Stephen King

Com o recente lançamento de três filmes baseados nas suas obras (It, A Torre Negra e também Gerald's Game na Netflix), não podemos negar que Stephen King é um escritor que está na moda e que conquista um maior número de fãs a cada dia que passa. Já falei sobre ele várias vezes aqui no blogue, especialmente quando escrevi sobre o filme e o livro Misery, que foi o penúltimo que li deste autor. 
Recentemente, a Editora Bertrand lançou uma nova edição de outra das suas obras: Carrie. Contactei a Editora e falei com pessoas muito simpáticas - às quais agradeço desde já - que me enviaram um exemplar para ler e partilhar aqui neste espaço. Por isso, hoje venho falar-vos deste pequeno livro.


Antes de mais, tenho de referir o facto de Carrie ter sido o primeiro livro de Stephen King, lançado em 1974. Podemos ver que a escrita deste homem é diferente até mesmo no início da sua carreira. Às vezes pode parecer um pouco confusa, mas acreditem em mim quando vos digo que no final da leitura vão perceber tudo.
Esta obra apresenta-nos Carrie White, uma adolescente que vive com a sua mãe, Margaret, em Chamberlain no Maine. Margaret é uma fanática religiosa louca que a maltrata para que esta siga as suas crenças. 
Quando Carrie vai para a escola, é uma rapariga muito tímida e torna-se num alvo de chacota por parte dos colegas. No início da história, aparece-lhe pela primeira vez a menstruação e ela não sabe o que se está a passar. Claro que esta situação peculiar faz com que a rapariga seja bastante rebaixada e gozada pelas colegas, especialmente por Chris Hargensen e Sue Snell, duas raparigas bastante populares. No entanto, o que ninguém sabe é que Carrie tem poderes telecinéticos e consegue mover objetos apenas com a mente, por isso quando esta fica nervosa começam a acontecer coisas muito estranhas.  
A certo momento, Sue arrepende-se de ter gozado com Carrie e pede ao namorado que a convide para ir ao baile da escola, para que a jovem assim se sinta especial. Quando é convidada, Carrie pensa que é tudo uma brincadeira, mas acaba por aceitar, o que leva a um desfecho bastante trágico.
Neste livro, à medida que a narrativa se vai desenrolando, vai sendo intercalada com pequenos excertos de notícias e testemunhos referentes ao caso da protagonista e ao fenómeno da telecinesia. Isto ajuda a trazer a história para o mundo real, ao mesmo tempo que vai entregando pistas acerca do final. A leitura é bastante dinâmica, com diálogos rápidos e simples e acontecimentos que nos mantêm agarrados ao livro. 
Como referi em cima, a história começa de uma maneira estranha, que nos leva logo a perceber que Carrie não é uma pessoa normal. Simpatizamos com ela e desejamos saber mais sobre os seus poderes e sobre a sua infância. Infelizmente, a personagem não é muito desenvolvida e apenas ficamos a saber o básico sobre ela. 
Enquanto Carrie ganha a nossa empatia, as outras personagens (especialmente Chris Hargensen) são apenas merecedoras do nosso ódio. As crueldades descritas neste livro fazem-nos pensar se existem realmente pessoas assim tão más, que apenas ficam felizes com a miséria alheia. Também Margaret, a mãe, é capaz de nos deixar chocados com as suas atitudes. Aliás, a meu ver, o "terror psicológico" deste livro está precisamente presente nesta personagem. Os jogos mentais que ela faz com Carrie, convencendo a filha de que certas atitudes é que são boas e outras são más, tornam-se ridículos, mas assustadores. 
Carrie é uma obra que explora muitos temas que ainda são atuais. Fala sobre bullying, sobre fanatismos religiosos e também reflete sobre as responsabilidades da Escola e da Família. Neste caso, muitas coisas que acontecem podiam ter sido evitadas se tanto a Escola como a Família tivessem ajudado a jovem. Por exemplo, percebemos logo que Carrie não sabe o que é a menstruação porque nunca aprendeu nada sobre isso antes e quando começa a sangrar, pela primeira vez, pensa que está a ter uma hemorragia - se soubesse o que estava a acontecer, teria uma reação diferente que mudaria os acontecimentos seguintes. 
É uma leitura bastante agradável e diferente, mas que nos deixa com vontade de ler mais. Quando terminamos o livro sentimos um pequeno vazio, mas ficamos também com a certeza de que vamos recordar a jovem Carrie para sempre.

Mais uma vez, quero agradecer à Editora Bertrand pela simpatia e por me terem enviado um exemplar deste livro. 😊

domingo, 8 de outubro de 2017

"Linha Mortal" (Opinião)

Linha Mortal é um remake do filme com o mesmo nome de 1990. Foi realizado por Niels Arden Oplev e conta com Elle Page no papel principal. 


Linha Mortal apresenta-nos cinco estudantes de medicina que tentam descobrir o que acontece depois da morte. Para isso têm de parar os seus corações por alguns minutos para depois "ressuscitarem". Cada um passa por esta experiência e todos eles voltam à vida, mas brincar com a morte faz com que comecem a ser perseguidos por fantasmas do passado.
Courtney, interpretada por Ellen Page, é quem tem a ideia de passar esta linha que separa a vida da morte, depois de um acidente. É ela que convence os colegas de que fazer esta experiência só pode ser positivo, porque ninguém antes tinha feito algo assim e ninguém sabe o que acontece quando o nosso coração pára. No entanto, ela nunca diz aos outros a principal razão que a leva a querer experimentar isto - o espectador, porém, sabe desde o início do filme, tendo aqui um conhecimento especial desta personagem.
Já disse várias vezes aqui no blogue que fico sempre um pouco assustada quando sei que vão fazer um remake (ou até mesmo uma sequela) de determinado filme. Desta vez não fiquei, porque ainda não vi o filme de 1990. Portanto, ao ver este filme tive acesso a esta história pela primeira vez. Acredito que para quem viu o filme antigo este não traga nada de novo.
Linha Mortal, como já disse, dá uma atenção especial à personagem Courtney. Só ficamos a conhecer os outros quando estes participam na experiência. No entanto, a maneira como ficamos a conhecê-los é demasiado rápida, o que não nos permite simpatizar logo com eles. O filme, na verdade, passa-se bastante rápido e parece não perder muito tempo com introduções.
O grande problema que tenho de destacar está no facto de estarmos perante um filme que quer ser um pouco de tudo: Comédia, Terror, Drama, Thriller e Romance. Temos partes que foram feitas para rir, mas depois temos cenas cheias de jumpscares (e admito que, ao contrário dos últimos filmes de Terror que vi, este ainda me pregou um ou dois sustos). O pior é que o contraste entre géneros aqui presente não ficou bem, porque parece que estamos a ver filmes diferentes que se juntaram num só.
Relativamente ao elenco, Elle Page rouba todas as atenções e a partir de um certo momento, que quando forem ver vão perceber qual é, o filme perde todo o interesse porque passa a centrar-se nas personagens secundárias que mal nos foram apresentadas. No papel dessas personagens temos Diego Luna, Nina Dobrev, James Norton e Kiersey Clemons (desta última não consegui gostar mesmo). Também Kiefer Sutherland, que fez parte do elenco do filme de 1990, tem aqui um papel que apesar de não aparecer muito acaba por ser bastante simbólico.
Esta crítica já vem um pouco tarde, visto que o filme estreou no dia 28 de Setembro, mas ainda podem ir ver o filme aos Cinemas. Agora, está na altura de eu ir ver o filme antigo, que espero que seja muito melhor. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

"Blade Runner 2049" (Opinião)

Em 1982, Ridley Scott presenteou o mundo com o filme Blade Runner: Perigo Iminente, que na altura não foi muito bem recebido. Mas ao longo dos anos serviu de inspiração a inúmeros filmes de ficção científica e tornou-se numa obra-prima do Cinema. Agora Denis Villeneuve apresenta a sua sequela, Blade Runner 2049.


No primeiro filme, passado em 2019, foram-nos apresentados dois conceitos: o de replicante e o de blade runner. Um replicante é uma espécie de robot inventado pela Tyrell Corporation. Bastante idêntico ao ser humano, é mais rápido, flexível e inteligente.
Depois de uma revolta, foram declarados ilegais e, então, foi criada uma unidade da Polícia responsável para os afastar (ou, mais precisamente, executar) - os blade runner. Neste filme, tivemos Harrison Ford no papel de Rick Deckard, um blade runner.
Agora, em Blade Runner 2049, o enredo passa-se trinta anos depois da história do primeiro filme. 'K' é um novo blade runner que fica encarregue de resolver um mistério do passado e para isso procura Deckard, que estava desaparecido há anos. 
Antes de mais, devo dizer que quando soube que iam fazer uma sequela do Blade Runner pensei: "isso é mesmo necessário?". Admito que tenho sempre medo de sequelas. Neste caso, temos um primeiro filme que é excelente e seria difícil fazerem algo tão bom - sejamos honestos, raramente as sequelas são tão boas como os filmes anteriores. No entanto, com tantos trailers incríveis a serem lançados, fiquei com as expectativas muito elevadas. Por isso, nem imaginam o quão feliz fiquei quando saí da sala e percebi que este filme está muito bom. Arrisco-me mesmo a dizer que está melhor que o de 1982 e faz com que passemos a gostar ainda mais da sua história. 
Podemos ver aqui tudo aquilo que Ridley Scott criou, mas visualmente está ainda mais bonito. Por isso, é preciso dar destaque a Roger Deakins (o diretor de fotografia) e à equipa de efeitos, que fizeram um trabalho incrível. Cada cena é brilhante! Um verdadeiro espetáculo visual. E é impossível não se ficar impressionado com os contrastes entre as cores e toda a nitidez deste filme.
Toda a ação é passada num futuro distópico e bastante negro, onde o tempo está quase sempre chuvoso. Estamos em Los Angeles, ano 2049, e a poluição é visível em contraste com os gigantes hologramas que decoram a cidade. Podemos ter uma ideia do que pode acontecer se o ser humano não perceber que realmente está a arruinar o planeta.
No primeiro filme, foi abordado o tema da evolução: quais são os limites da tecnologia? Na verdade, os replicantes são tão humanos como um ser humano e são o resultado do progresso tecnológico. Torna-se até difícil, em alguns casos, perceber se são mesmo artificiais. Blade Runner 2049 volta a apresentar-nos este dilema, em paralelo com a crise de identidade. Os replicantes podem ter memórias que lhes foram implantadas pelos seus criadores; mas e se as memórias forem realmente suas? E se toda a sua vida foi uma mentira e se não souberem quem são? É isto que nos é apresentado neste segundo filme.


No filme de Villeneuve também o som é bastante importante. Temos várias cenas em que reina o silêncio, mas temos também uma banda sonora composta por Hans Zimmer (um compositor que admiro bastante - recentemente fez a banda sonora do Dunkirk), que teve de substituir Jóhann Jóhannsson. 
Relativamente ao elenco, temos ainda presentes caras do primeiro filme: Harrison Ford e Edward James Olmos. A eles juntam-se agora Ryan Gosling, Ana de Armas, Dave Bautista, Robin Wright, Sylvia Hoeks e Jared Leto. 
Apesar de aparecerem em quase todas as publicidades deste filme, Harrison Ford e Jared Leto têm pouco tempo de antena. Ainda assim, o tempo que aparecem faz a diferença e altera o rumo da história. 
A única "falha" que tenho a apontar está precisamente relacionada com a personagem do Jared Leto. No final do filme senti que se esqueceram dele. Ficamos sem saber o que lhe acontece. Penso, no entanto, que este "esquecimento" pode levar a mais uma sequela. Na verdade, o filme tem quase três horas, mas levanta muitas questões que no final não são respondidas.
Se já viram o Blade Runner de Ridley Scott suponho que já têm o visionamento deste nos vossos planos. Se nunca ouviram falar do Blade Runner, está na altura de irem ver o primeiro filme para depois irem ver este novo. Está cheio de surpresas, razão pela qual não me alonguei muito na sinopse. Posso garantir que é uma obra-prima e um dos melhores filmes que vi nos últimos meses. 


Para terminar, não podia deixar de vos mostrar três curtas-metragens que retratam eventos que aconteceram antes do tempo de Blade Runner 2049. Recomendo que as vejam, porque explicam várias coisas que são mostradas no filme e por isso vai ajudar-vos a compreender tudo.
A primeira é um anime (Black Out 2022) criado por Shinichiro Watanabe e apresenta acontecimentos de 2022. 


A segunda curta-metragem (2036: Nexus Dawn) foi feita por Luke Scott e tem lugar em 2036. Dá-nos uma primeira imagem de Wallace, a personagem de Jared Leto, que aqui apresenta o seu novo modelo de Replicantes.



A terceira e última (2048: Nowhere to run) também foi realizada por Luke Scott e passa-se um ano antes do início do filme.

domingo, 1 de outubro de 2017

"Good Time" (Opinião)

Good Time é um filme realizado pelos irmãos Safdie. Conta com Robert Pattinson como protagonista, num papel que certamente é um dos melhores feitos pelo actor. 


Connie e Nick Nikas são dois irmãos que fazem assaltos. Nick tem atrasos mentais e acredita que o irmão apenas quer o seu bem, ignorando tudo o que a mãe lhe diz em tentativas de o afastar dos problemas.
Certa noite, assaltam um banco. Tudo corre bem, mas rapidamente a polícia vai atrás deles e consegue capturar Nick, que é preso em Rikers Island. Então, Connie tenta de tudo para tirar o irmão da prisão, até porque Nick é uma pessoa sensível que não seria capaz de ficar muito tempo num sítio como aquele.
Em primeiro lugar, é preciso destacar a excelente performance de Robert Pattinson neste filme. O actor ficou para sempre conhecido pelo seu papel na saga Twilight e agora está a tentar distanciar-se o mais possível do vampiro. Neste filme representa uma personagem que não se assemelha a nenhuma que ele já tenha feito. Digamos que rouba todas as atenções cada vez que aparece em cena.
Connie Nikas, a personagem, é um homem determinado e bastante ambicioso, que não desiste dos seus planos, por muito arriscados que sejam. Desde cedo percebemos que está a enterrar-se cada vez mais, fazendo coisas que só podem levar a um fim que não é bom para ele. Pattinson deu-lhe imensa credibilidade, mostrando que realmente é um bom actor, contrariando as más línguas.
Para além do protagonista, também podemos falar do seu irmão, que foi interpretado por Benny Safdie, um dos realizadores. O contraste entre ambos é visível logo desde início: Nick Nikas, ao contrário de Connie, sente medo, como podemos comprovar numa parte em que este foge da polícia.
Neste filme temos imensos grandes planos e muitas cores neon. Good Time é quase todo ele passado durante a noite e mostra como é a vida dos criminosos em algumas cidades. Aqui seguimos sempre Connie que, no final, não é nada mais que um criminoso que adora o seu irmão.
A meu ver, este filme só teve um ponto negativo: não desenvolve muito. A história é, basicamente, a de um homem que tenta tirar o irmão da prisão. Seguimos o que ele faz para atingir este objectivo, mas é tudo muito linear. Por um lado isto é bom, porque o filme parece uma situação real e sem ficção, mas senti falta de algo mais. Talvez mais acontecimentos pelo meio tivessem tornado tudo ainda mais interessante. Mesmo assim, este é um daqueles filmes que surpreendem, especialmente pelas excelentes performances.
Good Time foi bastante bem recebido no Festival de Cannes, há uns meses atrás, e está agora em exibição em algumas salas de cinema portuguesas.