sábado, 30 de setembro de 2017

"Vitória & Abdul" (Opinião)

Vitória & Abdul é um filme de Stephen Frears que conta com a fantástica Judi Dench no papel principal.


Inspirado em factos verídicos, conta a história da amizade improvável entre a Rainha Vitória e um jovem indiano, Abdul Karim. Abdul foi escolhido para participar no Jubileu da Rainha em Inglaterra. Depois de uma longa viagem, acaba por agradar a Vitória que decide que ele deve ficar a viver em Inglaterra e torna-lo no seu munshi - o seu professor. Tornam-se bastante amigos e o rapaz ensina tudo o que sabe sobre o seu país à Rainha, que, mesmo sendo a Imperatriz da Índia, nunca lá esteve.
No entanto, o facto de Karim ser indiano e também muçulmano faz com que o resto da família real não goste dele e deseje acabar com esta amizade.
Quando fui ver este filme admito que não ia com grandes expectativas mas surpreendeu-me bastante. Como seria de esperar, a performance de Judi Dench no papel de Rainha Vitória está magnífica. É uma atriz que eu adoro e acho que ficou bastante bem a representar esta personagem.
A primeira vez que a Rainha aparece no filme está bastante ensonada e parece não ter muito interesse no que se está a passar à sua volta. Não conseguimos desenvolver logo uma opinião sobre ela, mas assim que o seu olhar se cruza com o de Abdul percebemos logo que vai surgir ali uma bela amizade. Por outro lado, a Rainha é uma pessoa com imensas responsabilidades, como percebemos em vários desabafos que ela vai fazendo ao longo do filme. É uma mulher cansada, que nunca conseguiu realmente aproveitar a sua vida. 
Abdul, interpretado por Ali Fazal, também merece um grande destaque. Felizmente este filme nunca esquece os seus protagonista. A história é sobre a amizade entre Abdul e Vitória, mas, para além disso, também conseguimos conhecê-los individualmente. O jovem indiano é um rapaz pobre, que vê o seu sonho de conhecer a Rainha de Inglaterra a tornar-se realidade. 
O contraste entre as culturas de ambos traz algumas partes cómicas ao filme. Abdul não está habituado a nada do que vê no Palácio Real e as suas reações ao que vai acontecendo são bastante engraçadas. 
Num filme como este, os cenários e o guarda-roupa merecem uma atenção especial, visto que são eles que ajudam a lembrar que o que se pretende é recriar uma determinada época. Foi tudo pensado ao pormenor. As roupas estão incríveis e somos imediatamente levados para o Séc. XIX.
No final, percebemos que o filme não é apenas sobre a amizade destes dois. Acaba por também mostrar o racismo, o preconceito e a intolerância com outras religiões que existia. Abdul nunca é aceite em Inglaterra. Apenas Vitória gosta realmente dele e aprecia toda a sua cultura: para ela não importa que ele seja indiano e muçulmano.
Apesar de não ter sido muito divulgado, Vitória & Abdul é um filme que nos agarra logo desde o primeiro minuto. A história é encantadora e as performances estão excelentes. Tenho a certeza que muitos de vocês vão gostar!
Life is like a carpet; we weave in and out to make a pattern.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

"Mãe!" (Opinião)

Mãe! é o novo filme de Darren Aronofsky, o realizador de Cisne Negro, que conta com Jennifer Lawrence e Javier Bardem nos papéis principais. É um filme cheio de mistério e é preciso pensar bastante para realmente perceber de que se trata. Mais à frente vou mostrar o que achei das personagens principais. Peço desculpa, desde já, pela longa publicação e espero que isto não se torne muito confuso.


A personagem de Jennifer Lawrence e a de Javier Bardem formam um casal. Moram numa casa que está ser construída aos poucos pela personagem de Jennifer, enquanto a personagem de Bardem, que é um escritor, tenta escrever poemas.
Certo dia, recebem uma visita inesperada: um homem que diz ser médico, mas que mais tarde admite que é, também, um grande fã do escritor. De seguida, outra visita: a mulher do médico. A personagem de Bardem convence a sua mulher a recebê-los em casa, mas coisas estranhas começam a acontecer e mais visitas inesperadas continuam a chegar. A personagem de Lawrence começa a suspeitar de todas estas pessoas, mas o marido acha tudo normal e continua a dividir a sua casa com estes estranhos. 
Caso já se estejam a questionar, refiro-me aos protagonistas como "personagem da Jennifer" e "personagem do Javier" porque o nome das personagens nunca é mencionado. Tratam-se apenas por "querido", "querida", nunca pelo nome. Vou falar sobre isto mais à frente. 
Mãe! é considerado um filme de Terror e Mistério. Não assusta, mas é capaz de deixar uma pessoa chocada e até mesmo irritada. Enquanto estiverem a ver o filme, vão pensar: "o que se está a passar aqui?". Digamos que é muito, mas mesmo muito, estranho e parece que nada faz sentido. É preciso prestar bastante atenção a tudo e é fundamental pensar muito enquanto estamos a ver o filme, para realmente sermos capazes de o perceber. 
Toda a história é passada na casa em que o casal mora, num sítio onde não existe mais nada. Algumas partes da casa têm bastante luminosidade, especialmente no inicio. Percebemos que as zonas que a personagem da Jennifer está a reconstruir são mais claras. Depois, à medida que o filme se vai aproximando do final, a escuridão toma o lugar da luz e começamos a ter cenas cada vez mais negras. 
O suspense do filme é acentuado pelos sons, que também despertam a nossa curiosidade. Por vezes também o silêncio marca presença, deixando os espectadores ainda mais ansiosos. 
Relativamente aos atores, estamos perante muito boas representações. Admito que já não via um filme com a Jennifer Lawrence há algum tempo, porque, na minha opinião, saturaram a imagem da atriz ao ponto de eu achar que quase todos os papéis que ela fazia eram iguais. Depois de uma pequena pausa na carreira, está de volta neste papel que não se assemelha a nenhum antes feito por ela e devo dizer que está incrível, sendo que merece um grande destaque.


Agora, tal como já referi em cima, Mãe! tem muitos significados escondidos e é impossível para mim continuar esta publicação sem falar sobre eles. Por isso, caso ainda não tenham visto o filme aconselho que não continuem a ler, porque não quero estragar a vossa experiência. O que vou escrever a seguir contém spoilers
Os nomes das personagens nunca são revelados, o que deixa o espectador com dúvidas acerca do que se trata no filme. Tenho a certeza que muitas pessoas nem o vão conseguir perceber e nem eu sei se entendi. Vou mostrar-vos as conclusões que tirei depois do meu visionamento. 
Na minha opinião, a personagem de Javier Bardem é Deus. Ora, desde a chegada dos primeiros desconhecidos à casa, percebemos que este homem tem muitos fãs que seguem e repetem tudo o que ele diz e escreve; admiram-no a um ponto extremo. Há coisas que ele diz que realmente lembram coisas escritas na Bíblia como, por exemplo, que devemos partilhar com o próximo e que devemos perdoar - e estas coisas são repetidas pelos seus "fiéis". As minhas suspeitas acerca da identidade desta personagem podem ter sido confirmadas no final do filme, em que a única letra maiúscula escrita nos créditos está no nome desta personagem: "Him".
Mas se a personagem de Bardem é Deus, o que representa a personagem de Jennifer? Desde o inicio do filme percebemos que há uma pedra preciosa, digamos assim, que é muito importante e que pode simbolizar a Vida. Ainda tenho muitas incertezas, mas eu diria que a personagem é a Terra, a Mother Earth. O que me leva a pensar isto é o seguinte: de acordo com muitos pensamentos, Deus criou a Terra. Neste filme vemos aquilo que pode ser um ciclo vicioso da criação da Terra, sendo que até vemos algo que pode ser considerado um apocalipse no final - depois do fim do mundo, este poderá ser criado de novo por Deus.
Para sustentar ainda mais esta minha ideia de que a personagem da Jennifer é a Terra, posso referir que há uma parte em que chegam imensos desconhecidos à casa e começamos a ser bombardeados com situações que lembram vários acontecimentos históricos, como, por exemplo, cenas que parecem saídas da Segunda Guerra Mundial. Também num outro momento, em que a personagem está prestes a dar à luz, tudo estremece à sua volta, o que se assemelha a um terramoto. A Terra é mal tratada, o que conduz ao seu fim.
Se esta minha teoria por acaso estiver correta e se as personagens forem mesmo Deus e a Terra, então estamos perante um filme com bastantes traços religiosos, que mostra que muitas pessoas seguem as suas crenças ao extremo, por vezes nem percebendo o que realmente está certo ou errado.


Dizem que este é um daqueles filmes que se adora ou se odeia. Tenho de ser sincera e dizer que estava a detestar vê-lo e estava ansiosa pelo final. Os últimos trinta minutos do filme são uma loucura, uma enorme confusão. Ver os créditos a começar foi um alívio. Mas o objetivo de Mãe! é deixar uma pessoa a pensar e não parei de pensar neste filme durante todo o dia de hoje. Cheguei à conclusão que é impossível falar sobre o filme a quente. É preciso respirar fundo depois de o ver. Hoje percebi uma coisa: até gostei do filme. Precisamente porque me fez pensar e obrigou-me a criar teorias sobre as personagens para conseguir perceber (ou tentar perceber) tudo.
Caso estejam curiosos, recomendo que o vejam. Mas preparem-se para duas horas de plena loucura, que vos vão deixar com os nervos à flor da pele. 
Mãe! chegou esta quinta feira aos cinemas.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

"6 Dias" (Opinião)

6 Dias é um filme do realizador Toa Fraser que conta com Jamie Bell e Mark Strong nos papéis principais.


Em Abril de 1980, um grupo de terroristas tomou a Embaixada Iraniana em Londres e vinte e seis pessoas ficaram reféns. O grupo, liderado por Salim, ameaça matar os reféns, caso os prisioneiros políticos da sua terra natal não sejam libertados. 
O filme apresenta três pontos de vista: o do negociador da polícia, o da brigada do SAS (Serviço Aéreo Nacional) e também o dos jornalistas, encarregues de mostrar tudo o que estava a acontecer. 
Max Vernon (interpretado por Mark Strong) tenta manter a paz, através de negociações com os terroristas. Max é capaz de se manter calmo nesta situação, revelando o seu lado humano, e esforça-se por encontrar um desfecho pacífico.
Ao mesmo tempo, a brigada do SAS treina várias opções para uma possível investida contra a embaixada. À medida que a tensão entre os negociadores e os terroristas vai aumentado, os militares vêem-se cada vez mais próximos do momento em que vão ter de agir.
No exterior da embaixada, uma grande equipa de jornalistas vai informado o publico sobre todos os acontecimentos. Kate Adie (interpretada por Abbie Cornish) é uma jornalista da BBC que se destaca porque foi uma das responsáveis pela primeira reportagem em direto na televisão.
O filme não tem ficção e apresenta tudo por ordem linear. É bastante dramático, porém gostava que tivesse mais ação e que mostrasse mais os reféns. Penso que estes são bastante importantes, para mostrar o medo que as pessoas que estavam presas dentro da Embaixada estavam a sentir. 
Posso dar destaque à banda sonora, que, tal como aconteceu no filme Dunkirk, mostra que o tempo está a passar e que existe a necessidade de agir rapidamente, mas de um modo consciente.
Jamie Bell e Mark Strong interpretam as personagens principais, que são bastante distintas. Enquanto um tenta manter a paz, o outro está treinado para agir e matar se for preciso. Deste modo, coloca-se a questão: como devemos combater o terrorismo? Através da força ou com negociações pacíficas?
Apesar de ser um filme como tantos outros baseados em histórias verídicas, 6 Dias merece destaque por relembrar um momento da História que parece ter sido esquecido. 
O filme chegou esta quinta feira às salas de Cinema. 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

"It" (Opinião)

It é um filme de Andy Muschietti (realizador do filme de terror Mamã) baseado no livro com o mesmo nome de Stephen King. Em 1990 foi lançada uma mini-série, também baseada nesta obra. Conta a história que o palhaço Pennywise aparece de vinte e sete em vinte e sete anos. Pois bem, aqui está ele, em 2017, vinte e sete anos depois do lançamento da mini-série!


O filme mostra a história de um grupo de amigos - Bill, Beverly, Richie, Ben, Mike, Eddie e Stanley (interpretados por Jaeden Lieberher, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Jeremy Ray Taylor, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer e Wyatt Oleff) - que vivem em Derry, no Maine. São conhecidos por serem o grupo dos falhados e estão constantemente a ser agredidos e ameaçados por Bowers e pelos seus amigos. 
No inicio do filme, somos apresentados a todas as personagens individualmente e conhecemos os seus medos. Só mais tarde começa a aparecer o palhaço Pennywise, uma criatura misteriosa e demoníaca que se alimenta precisamente dos medos das pessoas, sendo que a maioria das suas vitimas são crianças.
Georgie, o irmão de Bill, desaparece e é dado como morto. Mais tarde, começam a desaparecer cada vez mais crianças nesta cidade. Então, o grupo de amigos decide ir à procura do culpado de tantos desaparecimentos. Percebem que Pennywise vai sempre para uma casa abandonada, onde existe um poço, e vão até lá, enfrentando todos os seus medos.
Este é um filme de Terror que prometia ser bastante assustador, tal como o próprio Stephen King (o grande mestre do Horror!) afirmou. Porém, tenho de admitir que estava à espera de realmente ter medo, mas, na minha opinião, o filme não assusta nem um bocadinho - talvez assuste quem tenha Coulrofobia.
Os efeitos sonoros, apesar de serem bons, cortam todo o suspense e tornam todas as cenas bastante previsíveis, sendo até fácil adivinhar quando o Pennywise vai aparecer.
Relativamente ao próprio Pennywise, a sua aparência é de facto assustadora, especialmente quando está pronto para matar. O seu ar misterioso e sinistro, a rapidez com que age e a maneira como fala conseguem arrepiar um pouco. Ele consegue ser assustador e cómico ao mesmo tempo. Por isso, é preciso dar mérito ao ator Bill Skarsgård, que certamente deu o seu melhor para interpretar esta personagem. Caso vejam o filme, reparem no olhar dele na parte em que fala com o Georgie. Se estiverem atentos, conseguem ver que um dos olhos está a olhar para o rapaz, mas o outro está a olhar diretamente para a câmara. A ideia do realizador era dar este efeito na pós-produção, mas o Bill disse que era capaz de fazer isso com os olhos e assim fez.


Numa história como esta, o fundamental são as crianças, que são as personagens principais. Devo dizer que estiveram todos excelentes e bastante credíveis. Parecem realmente assustados e também parecem ser bons amigos (acredito que agora sejam mesmo na vida real).
As crianças roubaram um bocado do protagonismo ao Pennywise. Algumas delas tinham vidas realmente complicadas, como é o caso de Beverly, a única rapariga do grupo. Todos eles têm medos muito distintos, visto que também tinham vidas muito diferentes. Ao mostrarem ser capazes de enfrentar o palhaço, fazem com que o público também deixe de ter medo do que está prestes a acontecer.
It tem, sem dúvida, um grande elenco e uma boa história. É um bom filme, mas eu gostava que tivesse muito mais Terror e acredito que os fãs dos sustos também quisessem o mesmo que eu.
Podem vê-lo a partir de amanhã nos Cinemas e também está disponível nas salas IMAX. Estão preparados para flutuar? 🎈

domingo, 10 de setembro de 2017

Momentos de filmes memoráveis!

Hoje trago uma publicação diferente, com o objectivo de vos aguçar a memória. Vou relembrar-vos de momentos marcantes em filmes. Ou seja, momentos que não esquecemos facilmente, seja por causa de uma frase ou até mesmo por uma cena inteira. Tenho a certeza de que todos vocês conhecem os que vou mostrar a seguir! 

1. "I'm flying!" - Titanic (1997)
O primeiro é uma cena que guardamos na memória, quer tenhamos visto este filme ou não. Todos conhecemos a cena em que Jack e Rose se beijam e ela grita que está a voar. Já para nem referir a música. Essa então é memorável!


2. O beijo com esparguete - A Dama e o Vagabundo (1955)
Continuando em clima romântico, mas passando às animações, a Disney presenteou-nos com esta cena que acredito que todos tenham visto quando eram mais novos. A famosa cena do esparguete!
 

3. "Here's Johnny!" - The Shining (1980)
Deixando o clima romântico para trás, tinha de lembrar o famoso momento em que Jack Nicholson decidiu improvisar e dizer as famosas palavras "Here's Johnny", inspirado no programa de Johnny Carson. 
  

4. Samara a sair da televisão - The Ring (2002)
Continuando no Terror, a imagem da Samara a sair da televisão popularizou-se e de certeza que já viram esta cena, mesmo que não tenham visto o filme. Ultimamente têm sido feitas muitas partidas relacionadas com este momento.
  
   
5. "You're a wizard!" - Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001)
Esta frase ficou para sempre na cabeça dos fãs de Harry Potter. É proferida por Hagrid num dos primeiros encontros entre os dois, ao qual Harry responde "I'm a what?", sem saber que é um dos feiticeiros mais famosos de sempre. É esta simples frase que introduz todo um mundo novo a Harry, daí ser tão especial.
  
  
6. "I am your father!" - Star Wars: Return Of The Jedi (1983)
Este é outro grande momento de revelações e também um dos momentos mais marcantes de Star Wars. Uma daquelas frases que ficou para sempre na História.
  
  
7. Kevin e os seus gritos - Sozinho em casa (1990)
Este é um daqueles filmes que já toda a gente viu, certo? Mas se ainda não viram, de certeza que podem ver já em Dezembro, visto que os canais de televisão fazem questão de o passar todos os anos no Natal. Já é uma tradição! 
Decidi dar destaque ao maravilhoso grito do Kevin à frente do espelho, depois de colocar after-shave. Sempre achei bastante piada a esta cena e suponho que todos os que viram o filme ainda se lembram.
  

Acrescentariam mais algum momento marcante a esta lista? 😊

sábado, 9 de setembro de 2017

Cosplay - tornar a fantasia em realidade

Este fim de semana está a realizar-se o evento Spring It Con no Instituto Superior Técnico de Lisboa. Este é um evento de anime, jogos e de cosplay, que é aquilo de que vos vou falar hoje. Infelizmente este ano não vou ao Spring It, mas decidi aproveitar a oportunidade para vos falar sobre este tema.
Provavelmente já vos aconteceu verem alguém "mascarado", digamos assim, a uma altura do ano muito longe do Carnaval e provavelmente ficaram a pensar algo do género: "O que se está a passar aqui?".


Isto que para vocês, se não estiverem já a par do tema, pode ser uma pessoa mascarada, chama-se Cosplay: significa "costume play" e consiste, basicamente, em transformar-se numa personagem (que pode ser de anime, bandas desenhadas, jogos, qualquer coisa!). As roupas, os acessórios, a maquilhagem e a representação (assumir o papel da personagem) podem ser consideradas as bases desta arte, que começou no Japão e agora é vista em todo o mundo.
Normalmente, são os próprios cosplayers que fazem os fatos e os acessórios, feitos com tecido, eva ou worbla. É preciso ser-se uma pessoa realmente criativa e nada é fácil. Muitas vezes fazer um cosplay pode levar meses até estar tudo concluído!
Há umas semanas atrás, realizou-se a Comic Con de San Diego e foram publicadas milhares de fotografias incríveis de cosplayers. Na América é algo normal, pois existem várias cons por ano. Em Portugal, e falo por experiência própria, os cosplayers, por vezes, ainda são olhados de lado: algumas pessoas acham ridículo e dizem que é uma coisa só para crianças, outras acham apenas engraçado e existem também aqueles que realmente apreciam e elogiam.
Já existem vários eventos no nosso país que se dedicam ao cosplay, entre outras vertentes, como é o caso do Iberanime (em Lisboa e no Porto) e da Comic Con (no Porto). Também foi criada uma Associação de Cosplay que está sempre presente nos eventos para dar sugestões e apoio.
Para além de ser um hobbie, o cosplay também pode tornar-se numa fonte de rendimento. Se formos realmente bons no que fazemos, podemos participar em concursos nacionais e internacionais e ver o nosso trabalho a ser divulgado. 
Posso concluir que fazer cosplay só pode ser algo positivo: em primeiro lugar, é divertido para quem está a representar a personagem; em segundo lugar, podemos ser alguém completamente diferente por um dia; e em terceiro lugar, não existe nada melhor do que ter alguém a reconhecer o nosso trabalho e a elogiar tudo o que foi feito antes de o cosplay estar completo. 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

"Sorte à Logan" (Opinião)

Sorte à Logan é um filme de comédia realizado por Steven Soderbergh (realizador de Ocean's Eleven) e conta com um grande elenco de luxo. 


Jimmy Logan perde o seu emprego e decide que precisa de arranjar algum dinheiro, então prepara um plano bastante elaborado para assaltar um cofre. Conta tudo ao seu irmão Clyde, um homem que perdeu o seu braço e que está constantemente a falar de uma maldição na família Logan, e também à sua irmã Mellie, que é uma cabeleireira. A intenção é roubar o cofre de uma pista de corridas e, para isso, vão precisar da ajuda de Joe Bang, um homem que está preso e que é especialista em demolições e assaltos. 
O plano está todo traçado, mas um pequeno imprevisto faz com que tenham de fazer o assalto mais cedo do que estava planeado. Assim sendo, são obrigados a fazê-lo no mesmo dia que se realiza a Coca-Cola 600, uma corrida da Nascar muito popular.
Este é um filme de comédia, porém não esperem soltar grandes gargalhadas. É bastante simples, mas torna-se interessante. As personagens têm todas bastante carisma e somos capazes de simpatizar desde logo com a família Logan e desejamos que todo o plano deles corra bem. Eu diria que parece um filme de família, até porque conhecemos bem a família protagonista e até a própria filha de Jimmy Logan - uma pequena rapariga que vai participar num daqueles típicos concursos americanos para crianças. 
A banda sonora é bastante boa e adapta-se muito bem a todos os cenários. Existe um momento do filme em que percebemos que uma das músicas é bastante importante, o que torna tudo ainda mais interessante. 
O elenco, como já referi, é de luxo. Temos Channing Tatum e Adam Driver a representar os irmãos Logan e Riley Keough no papel de Mellie. Depois contamos também com nomes como Daniel Craig (no papel de Joe Bang, também ele um dos protagonistas), Katie Holmes, Katherine Waterston, Hilary Swank, Seth MacFarlane e Sebastian Stan. 
Tenho, também, de dar destaque aos maravilhosos sotaques que os atores fizeram, de modo a dar credibilidade às suas personagens. 
É um bom filme que mostra muitas cenas da vida americana. É bastante leve, excelente para ver numa tarde em que apetece ver um filme deste género, que entretem mas que não dá muito para pensar.
Ah! Não posso deixar de referir que se forem fãs da Guerra dos Tronos vão adorar uma parte deste filme!
Sorte à Logan está agora nos Cinemas!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

"Outlander": amor em dois tempos

Na terça feira passada tive a excelente oportunidade de ir assistir à antestreia mundial da terceira temporada da série Outlander, numa sessão muito especial no Cinema com direito a um sorteio de prémios (no qual não ganhei nada). 
Tenho de ser sincera com vocês e admitir que este foi o primeiro episódio que vi desta série. Já conhecia de nome e também sabia que era inspirada em alguns livros, mas nunca tinha visto um único episódio. Sabia lá eu o que andava a perder...


Outlander conta a história de Claire, uma mulher que foi enfermeira na Segunda Guerra Mundial e que certo dia, após assistir a um ritual, é transportada para o século XVIII. É aí que conhece Jamie, um homem por quem se apaixona, o que deixa o seu coração dividido. Acontece que Claire era casada com Frank, um historiador, mas depois desta misteriosa viagem no tempo vai ser incapaz de conciliar as vidas que leva em cada século.
A série é visualmente magnífica, com lindas paisagens. Tem uma banda sonora que nos lembra imediatamente a Escócia, como podem perceber logo através da canção de abertura.
Ainda me falta muito para chegar até à terceira temporada, mas decidi partilhar a série com vocês. Se não conhecem, experimentem ver. Tenho a certeza de que vão adorar tanto quanto eu! 
A nova temporada chega a Portugal no dia 17 deste mês. Até lá ainda tenho algum tempo para ver todos os episódios anteriores!

E vocês? Já conheciam Outlander? São fãs da série?

"Una - Negra Sedução" (Opinião)

Chega hoje às salas de Cinema o filme Una - Negra Sedução, inspirado na peça de teatro Blackbird de David Harrower. É um filme de Benedict Andrews que promete chocar.


Una - Negra Sedução conta a história de uma rapariga de treze anos que tinha relações sexuais com o seu vizinho, Ray. Anos mais tarde, quando ela já é adulta, decide confrontá-lo. Encontra uma fotografia do homem num jornal e descobre onde ele trabalha. Vai até ao local e pergunta-lhe o porquê de ele a ter abandonado e se ele realmente a amava ou se ela tinha sido apenas uma das crianças com quem ele tinha estado. Acontece que agora Ray é tratado por Peter e é um homem casado que tentou esquecer tudo o que tinha tido com esta rapariga. Mas depressa percebemos que os sentimentos que ele nutria por ela não tinham realmente desaparecido.
O filme começa com uma cena bastante psicadélica (que sinceramente até me custou um pouco ver) em que Una está numa discoteca. Percebemos desde logo que ela é uma pessoa que ficou traumatizada com o que viveu e que por isso perdeu a vontade de viver. Parece que apenas Ray é a sua motivação. 
Quando esta vai ter com ele, podemos pensar que tem apenas a intenção de mostrar o mal que ele lhe causou. Porém, mostra rapidamente que ainda está apaixonada por este homem. 
É uma obra bastante chocante que fala de temas como a pedofilia e o possível amor entre uma criança e um adulto. Chega mesmo a ter momentos de diálogos repugnantes, mas somos capazes de simpatizar com as personagens e podemos mesmo acreditar que realmente tudo o que se passou entre eles era amor.
Enquanto filme, achei apenas razoável. Acredito que seja bastante melhor representado em Teatro, visto que até foi inspirado numa peça. Preciso, no entanto, de destacar a excelente performance da atriz Rooney Mara. Está impecável e é capaz de transmitir toda a raiva, amor, desespero e tristeza de Una. 
Também nomes como Ben Mendelsohn, Riz Ahmed (do filme Star Wars - Rogue One) e Tobias Menzies (da série Outlander) fazem parte do fantástico elenco deste filme.
Una - Negra Sedução chega hoje às salas de Cinema.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

"El Vampiro", um filme de 1957

Hoje tive a oportunidade de ir assistir ao filme mexicano El Vampiro na Cinemateca, pois houve uma sessão especial deste devido ao MOTELX


Conta a história de uma rapariga, Marta, que quer voltar à sua terra natal, Sicomoros, porque uma das suas tias, María Teresa, estava doente. É impedida de apanhar o comboio que a leva à vila e conhece Enrique, um homem que se vê na mesma situação que ela. Ao passar um homem com uma carroça pedem boleia e assim conseguem ir até Sicomoros. 
Assim que chega, Marta recebe a notícia de que a sua tia tinha morrido, o que a deixa bastante triste. Enrique está com ela, e, mesmo sendo praticamente um desconhecido, é convidado a passar a noite naquela casa, onde habitam Eloisa e Emílio, tios de Marta. 
Depressa percebemos que a tia Eloisa é uma vampira que teve mão na "morte" de María Teresa. Surge, então, "el vampiro", o Senhor Duval. Um homem com um ar elegante, sempre vestido de preto, que é cúmplice de Eloisa e que deseja conhecer Marta, para lhe propor a compra da casa de Sicomoros. 
Coisas sobrenaturais começam a acontecer e a despertar o interesse de Enrique, que descobrimos ser um médico chamado para tratar a tia María Teresa, que entretanto havia falecido. Dizia-se que a tia tinha ficado maluca e que afirmava constantemente que existiam ali vampiros. Marta começa a perceber que a tia tinha razão e os sarilhos começam por esta altura. 
Este filme é de 1957, ou seja, é bastante antigo, a preto e branco e com o suspense tão característico destes filmes de Terror que já têm alguns anos. O exagero dramático é acentuado pela música, mas é impossível não soltar algumas risadas - com isto quero dizer que, atualmente, não mete medo a ninguém (e mais uma vez questiono-me se na altura terá assustado e, desta vez, acredito piamente que sim). 
Aborda o tema dos vampiros, como seres imortais que se alimentam do sangue das suas vítimas. Apresentam a típica imagem dos vampiros: pele clara, dentes aguçados, roupas negras, compridas e com grandes golas. 
A maneira como o filme é feito mostra perfeitamente o tempo que já passou por ele. Realizado numa época sem grandes tecnologias, podemos ver todos os cortes que foram feitos no filme: existem várias mudanças de tons, ruídos na imagem ("chuva")... Tudo o que é esperado. Destaco também os fios que são visíveis a agarrar os morcegos falsos, apenas porque acho que é um pormenor interessante. 
Se gostam de filmes antigos como eu, não posso deixar de vos recomendar este. A história é bastante engraçada e é um filme que nos leva para outros tempos do Cinema. 

domingo, 3 de setembro de 2017

"Dawn Of The Dead", de George A. Romero + MOTELX

Ontem deu-se o "Warm Up" do MOTELX, o festival de Cinema de Terror, com a exibição do filme Dawn Of The Dead (1978) do realizador George A. Romero, que esteve presente na edição de 2010 e que, infelizmente, morreu no passado mês de Julho. Portanto, começamos o MOTELX com uma bela homenagem, ao ar livre, no Largo de São Carlos em Lisboa.

(...) My granddad was a priest in Trinidad. He used to tell us, "When there's no more room in hell, the dead will walk the Earth."
Dawn Of The Dead mostra os Estados Unidos numa altura em que os mortos invadem a Terra, depois de uma epidemia ter transformado as pessoas em zombies. Como é habitual, as causas são desconhecidas. 
Um grupo de quatro pessoas (os agentes Peter e Roger e um piloto, Stephen, e a sua namorada, Frances) refugiam-se num Centro Comercial, onde também existem vários mortos-vivos. No entanto, passado algum tempo, são descobertos por outro grupo que deseja conquistar o lugar. Depois da chegada destes, as coisas complicam-se para os nossos protagonistas. 
Este filme já é bastante antigo, por isso podem esquecer o tipo de zombies que estão habituados a ver em séries como The Walking Dead. Aqui são bastante simples, apenas com umas pinturas meio acinzentadas/azuladas e com um sangue mais para o cor de laranja do que para o encarnado. Em tom de brincadeira posso dizer que parecem ser uns zombies simpáticos, até porque alguns têm um ar bastante tolinho. Ou seja, não metem medo e muito menos fazem impressão. Até têm bastante piada. No entanto questiono-me se as pessoas que viram o filme quando foi lançado também pensam isto. Provavelmente na altura eram bastante assustadores! 
Quanto à história do filme, também ela é engraçada. Admito que adoro a ideia de viver num Centro Comercial, e se por acaso virem o filme acho que vão concordar comigo. Basicamente os protagonistas têm ali tudo à mão: armas, roupa, remédios e até tinta para pintar as paredes dos quartos. O filme tem uma cena deliciosa que mostra o que eles fazem quando não estão a matar zombies. Dedicam-se a escolher roupa, a treinar tiros em manequins e a jogar numa sala de jogos. 
Tudo isto para dizer que, mesmo sendo um filme de zombies (o que eu pessoalmente adoro!), torna-se bastante engraçado e é um clássico, portanto é bastante recomendável. 


Agora, relativamente ao evento de ontem, onde foi exibido o filme. Tal como já disse foi no Largo de São Carlos e foi ao ar livre e de entrada gratuita. Organizado pelo MOTELX, em modo de homenagem ao George Romero, o consagrado realizador de filmes de zombies. A noite prometia ser assustadora e com muito sangue. De facto, acabou por haver muito sangue para beber! Serviram imensa comida e bebida: cachorros em que a salsicha vinha cortada em forma de dedo e sumos que eram servidos em copos com a identificação do tipo de sangue (O+, A+, AB+...). Foi uma excelente iniciativa para dar início ao festival que vai decorrer entre o dia 5 e 10 de Setembro. 
Se forem fãs deste tipo de filmes e tiverem interesse em saber mais, podem visitar o site do MOTELX. Deixo-vos aqui também o cartaz dos filmes que vão ser exibidos, na sua maioria no Cinema de São Jorge. Os preços variam entre os 2€ e os 5€. 
Bons filmes e cuidado com os zombies!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

"O Guarda-Costas e o Assassino" (Opinião)

The Hitman's Bodyguard é uma comédia dramática realizada por Patrick Hughes que conta com um elenco de luxo. Mas serão as caras conhecidas presentes neste filme suficientes para o tornarem bom?


Michael Bryce, interpretado por Ryan Reynolds, é um agente que fica responsável por defender e proteger Darius Kincaid (Samuel L. Jackson), um assassino que cometeu imensos homicídios a mando do seu ex-patrão e ditador, Dukhovic, e que decide testemunhar contra este na Holanda. 
Chegar à sala de tribunal é um objetivo que se revela uma tarefa difícil, visto que estão constantemente a ser perseguidos pelos homens de Dukhovic, em várias tentativas de impedir que toda a verdade seja revelada.
Este é um filme de comédia que por vezes tem cenas dramáticas que, na minha opinião, parecem saídas de outro filme. A personagem de Gary Oldman, Dukhovic, é diferente de tudo o resto, tanto que pode tornar-se um bocado confusa. Já as personagens principais, são cómicas. Não seria de esperar outra coisa vinda dos atores Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson, que mostram sempre um humor característico. Reynolds interpreta um agente que por algum motivo me lembrou imenso a sua personagem Deadpool. Já Jackson faz o papel de um assassino que passa a vida a dizer asneiras e que me lembra, por exemplo, os papéis deste em filmes do Tarantino.
Para mim uma das surpresas deste filme foi a presença da atriz Salma Hayek, que tem uma personagem forte que está presa inocentemente (será que é assim tão inocente?). As cenas em que ela aparece, por muito poucas que sejam, são divertidas de se ver. Acredito, no entanto, que se aparecesse muito mais seria saturante.
Outra das presenças neste filme que tenho de destacar é a do português Joaquim de Almeida, que tem uma personagem misteriosa. É difícil perceber logo se ele é bom ou mau e só no final do filme é que isso é revelado.
Também é preciso referir a banda sonora, com várias músicas bastante conhecidas que na maneira como são apresentadas dão um tom engraçado ao filme e que me surpreenderam à medida que iam começando a tocar.
O Guarda-Costas e o Assassino foi o filme que eu estava à espera que fosse. Tem a sua piada, mas não é nada de mais. Acredito que os fãs dos actores principais vão adorar, mas de resto achei um pouco fraco. É mais do mesmo e suponho que daqui a uns tempos vai ser um daqueles filmes que passam repetidas vezes nos canais de televisão aos sábados e domingos à tarde. Por enquanto, podem vê-lo nos cinemas.