domingo, 4 de fevereiro de 2018

Spielberg, Hanks e Streep

Steven Spielberg é, sem dúvida alguma, um dos meus realizadores favoritos. Por isso, admito que estava bastante curiosa em relação ao seu novo filme: The Post. O filme conta com Meryl Streep e Tom Hanks nos papéis principais, o que também aumentou as minhas expectativas.


Baseado numa história verídica, este é um drama que se centra na improvável parceria entre Katharine Graham, a primeira mulher na liderança de um dos principais jornais norte-americanos – o Washington Post – e Ben Bradlee, o editor do jornal, na corrida com o New York Times para expor um dos maiores segredos governamentais, relacionado com os Pentagon Papers que mostram que vários presidentes americanos mentiram sobre a Guerra do Vietname. A divulgação deste segredo resultará num grande escândalo.
The Post mostra-nos, acima de tudo, o Poder do Jornalismo e homenageia a liberdade de imprensa. Ao vermos este filme, é inevitável fazermos um paralelo com a atualidade, em que Donald Trump tenta controlar os media, que segundo ele fazem "fake news" que influenciam a população.
O filme é precisamente sobre as repercussões que as notícias podem ter e reflete sobre se publicar algo secreto é ou não o correto. Por isso, o clima do filme é maioritariamente de tensão, com muitos encontros discretos e muitos telefonemas, que nos levam a sentir a dedicação dos jornalistas do The Post e a determinação de Katharine Graham.


Ao longo da trama podemos ver um grande desenvolvimento na personagem de Meryl Streep, que no início é uma mulher um pouco tímida e no final compromete-se (e ao seu jornal) quando decide publicar as provas que põem em causa o Governo. Torna-se numa personagem muito forte e numa verdadeira fonte de inspiração. Por sua vez, Tom Hanks interpreta aqui o jornalista que a incentiva. No final do filme sentimos que gostaríamos que existissem mais cenas somente com estes dois, para que fosse possível ver ainda uma maior interação entre eles.


Talvez por ter grandes nomes a ele associados (Spielberg, Streep e Hanks), levamos grandes expectativas para o The Post e podemos ficar um tanto desiludidos. Infelizmente, apesar de ser muito bom, o filme é um tanto superficial. É um filme que, podemos dizer, é "seguro". Excelente para esta época de prémios, mas será que daqui a uns meses alguém ainda se vai lembrar dele?
7/10 ⭐

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Amor-batráquio

Continuando na onda dos nomeados aos Óscares, hoje venho falar do filme que conta com um maior número de nomeações este ano. A Forma da Água é o novo filme do genial Guillermo Del Toro, que provavelmente vai receber o Óscar de Melhor Realizador - eu, pelo menos, estou a torcer para que isso aconteça!


The Shape Of Water apresenta-nos Elisa, uma mulher órfã e muda que trabalha nas limpezas de um centro de investigações do governo americano nos anos 60. É aí que ela conhece uma criatura aquática (um “homem-anfíbio”) que se encontra prisioneira e pela qual acaba por se apaixonar.
Na minha opinião, este é um filme com bastantes contrastes, a começar logo pelo facto de Elisa aparentemente ser uma pessoa inocente e indefesa, que não está feliz com a sua vida, e esta criatura ser monstruosa. Já para não dizer que a criatura pertence à água e Elisa pertence à terra. Ou seja, o amor entre eles é praticamente impossível, mas o romantismo e a fantasia fazem com que tudo seja concretizável. A partir do momento em que a mulher consegue ensinar linguagem gestual a este “homem-anfíbio”, dá-se inicio a uma magnífica história de amor que só podia ter sido realizada por Del Toro.


O filme é capaz de nos cativar logo desde início devido ao seu argumento e, essencialmente, por toda a beleza visual. É tudo pensado ao pormenor, desde os cenários até à caracterização da própria criatura – que mesmo sendo um “monstro” tem um ar dócil, ao contrário dos humanos que pretendem usá-la para experiências (por exemplo, também podemos estabelecer um contraste entre o "vilão" e a criatura e seria caso para perguntar: “Quem é o monstro, afinal?”).
Sally Hawkins interpreta Elisa, numa representação fantástica, de se lhe tirar o chapéu. Na verdade, ela é um dos grandes destaques deste filme e este é, provavelmente, o melhor papel de sempre na sua carreira.
No geral, A Forma da Água é um filme visualmente muito bonito e com grandes prestações. Uma história de amor e fantasia, capaz de conquistar qualquer pessoa. Agora resta apenas saber se é capaz de conquistar a Academia e de levar um Óscar para casa.